Como se extrai o CBD? – Guia CBD
Introdução
Ao longo das últimas décadas, poucas substâncias despertaram tanta atenção no mundo do bem-estar como o cannabidiol. Derivado da planta de cânhamo, o CBD tem sido o ponto de partida de investigações, produtos inovadores e novas conversas sobre saúde natural.
No entanto, para além das suas potenciais propriedades terapêuticas, talvez já te tenhas perguntado: como se obtém esse óleo de CBD que aparece em frascos, cremes ou vaporizadores? O que acontece entre a planta e o produto final? Por trás de cada gota, cápsula ou bálsamo, existe um processo técnico que transforma o cânhamo em extratos ricos em compostos ativos. E embora esses métodos fiquem frequentemente fora do radar, são essenciais para compreender a qualidade e a eficácia do produto.
Por que razão a extração de CBD é importante?
O cannabidiol (CBD) ganhou notoriedade como um composto muito valorizado no âmbito do bem-estar natural. No entanto, para que estes benefícios se conservem intactos nos produtos, é fundamental compreender como se extrai o CBD da planta de cânhamo. A forma como este processo é realizado não só tem impacto na eficácia do produto final, como também na sua segurança e na experiência de utilização.
Graças a estes extratos, desenvolve-se uma grande variedade de produtos. Entre eles destacam-se os óleos de CBD, que contêm uma rica mistura de canabinoides; os cosméticos com CBD, cada vez mais populares nos cuidados da pele; e líquidos para vaporizadores, que oferecem uma via de administração rápida e direta.
Relação entre a qualidade do extrato e o método utilizado
Nem todos os extratos de CBD são iguais. A qualidade e os efeitos do óleo final dependem, em grande medida, do método utilizado para o obter. Alguns procedimentos permitem conservar melhor os canabinoides, enquanto outros podem degradar compostos sensíveis como os terpenos. Escolher um método adequado é fundamental para obter um extrato puro, potente e com um perfil completo de compostos benéficos.
O que implica a extração do CBD?
A extração é o processo pelo qual se separam os componentes ativos do cânhamo, como os canabinoides e os terpenos, do restante material vegetal. Este passo é fundamental para transformar uma planta em bruto num produto com valor para o bem-estar. Sem uma boa extração, mesmo o melhor cânhamo poderia produzir um extrato de baixa qualidade.
Atualmente, os três métodos mais conhecidos são a extração com CO₂ em estado supercrítico, a infusão com azeite de oliva e o uso de solventes como o etanol ou o butano. Cada um deles apresenta vantagens e limitações, pelo que são utilizados conforme o tipo de produto que se pretende obter e os recursos disponíveis.
Por que razão nem todos os métodos são iguais?
As diferenças entre estas técnicas não residem apenas nos materiais e condições que requerem, mas também no perfil do extrato que geram. Algumas conservam melhor os compostos voláteis, outras oferecem maiores rendimentos, e algumas são ideais para uso artesanal. Compreender estas distinções ajuda a tomar decisões mais informadas enquanto comprador ou produtor.
Principais métodos de extração do CBD
Extração com CO₂
Este método baseia-se na utilização de dióxido de carbono em estado supercrítico, um estado físico no qual o CO₂ atua simultaneamente como líquido e gás. Nestas condições, o gás adquire a capacidade de dissolver os compostos do cânhamo, como se fosse um solvente químico, mas sem deixar resíduos. É um processo limpo, preciso e altamente eficiente que permite preservar uma ampla gama de canabinoides e terpenos, o que é essencial para produtos de espectro completo.
- CO₂ supercrítico: trabalha com alta pressão e temperatura, o que permite extrair uma ampla gama de compostos. É ideal para produtos que procuram uma maior concentração e variedade química.
- CO₂ subcrítico: utiliza condições mais suaves, resultando num extrato que conserva melhor os terpenos mais delicados, embora sacrifique parte do rendimento. Esta modalidade é útil quando o aroma do extrato é a prioridade.
A extração com CO₂ inicia-se com uma cuidadosa seleção e preparação do cânhamo, que inclui a secagem e a moagem para melhorar a eficiência do processo. Posteriormente, o CO₂ é submetido a condições específicas de pressão e temperatura para atingir o seu estado supercrítico. Neste estado, flui através do material vegetal, dissolvendo os compostos desejados. De seguida, a pressão é reduzida, permitindo que o CO₂ se evapore e os compostos extraídos se separem. Por fim, o gás pode ser recuperado, arrefecido e reutilizado, o que torna o método numa opção sustentável.
Quanto às vantagens, o CO₂ é um solvente seguro e previsível que tem sido utilizado pela maioria das empresas alimentares durante muitos anos. Além disso, os métodos de extração foram aperfeiçoados para garantir a eficácia na produção de CBD. A pureza do CBD produzido é extremamente elevada e qualquer resíduo remanescente é considerado seguro para as pessoas, uma vez que o CO₂ é uma substância natural não tóxica.
No entanto, é igualmente importante ter em conta as desvantagens. O rendimento do processo de extração com CO₂ é inferior em comparação com outros métodos, como o etanol. Além disso, o equipamento necessário para realizar este processo é dispendioso e apenas pode ser utilizado em laboratórios avançados e sofisticados.
Apesar destas desvantagens, muitos consideram que a utilização de CO₂ como solvente de extração é uma opção segura e eficaz para produzir CBD de alta qualidade. É importante avaliar cuidadosamente as necessidades de cada empresa e considerar os custos e benefícios antes de escolher um método de extração em particular.
Infusão a quente: mistura-se o cânhamo previamente descarboxilado com azeite de oliva e aquece-se durante várias horas. Esta técnica acelera a extração e melhora a biodisponibilidade.
Maceração a frio: deixa-se o material vegetal em repouso no azeite à temperatura ambiente durante semanas. Embora mais lenta, esta técnica é mais suave e permite conservar certos compostos voláteis.
Neste tipo de extração, o material vegetal é primeiro aquecido para ativar os canabinoides num processo conhecido como descarboxilação. De seguida, é combinado com azeite de oliva e mantido a temperatura controlada durante um período prolongado, o que permite que os compostos lipossolúveis se dissolvam no azeite. Esta mistura é filtrada para eliminar restos vegetais e armazenada em condições que preservem a sua estabilidade. Embora o produto resultante possa ter uma concentração inferior à de outros métodos, o seu perfil é natural e seguro.
Comecemos pelo que é bom: o custo! Este método é uma opção económica e acessível para pequenas produções, pelo que é ideal para quem está a iniciar-se no mundo do CBD. Além disso, é seguro, uma vez que o azeite de oliva não é inflamável e não representa qualquer risco de explosão ou incêndio.
No entanto, nem tudo são vantagens. A pureza é uma das desvantagens deste método. Embora seja uma técnica simples, o azeite de oliva não oferece a mesma pureza que outros métodos de extração. Além disso, os produtos finais são mais limitados. Por último, a escalabilidade é outro aspeto a ter em conta. Para quem procura a extração de CBD para fins comerciais, o método com azeite de oliva pode ficar aquém das necessidades.
Um dos processos mais utilizados para obter o valioso canabinoide é a extração com solvente de etanol. Este método garante a separação e extração do CBD da biomassa do cânhamo, utilizando um álcool altamente purificado. Embora existam outros solventes como o butano, o etanol é o preferido pelos especialistas do setor, uma vez que garante uma extração segura do CBD sem efeitos tóxicos. Além disso, o etanol tem a capacidade de extrair a gama completa de terpenos e canabinoides presentes na cannabis.
É certo que o etanol pode extrair também a clorofila, o que poderia reduzir a potência do óleo, mas isso não representa um problema maior, uma vez que é possível filtrar o extrato e assim obter um óleo mais puro e potente. O processo de extração é simples e realiza-se com o solvente escolhido. O líquido atua sobre a biomassa de cânhamo eliminando alguns dos canabinoides, terpenos e fitoquímicos naturais presentes na planta, num processo conhecido como descarboxilação.
Uma vez evaporado o excesso de solvente, o resultado é um óleo bruto de CBD descarboxilado. Este óleo pode transformar-se em destilado de CBD e, a partir do destilado, em isolado de CBD puro, graças a processos de conversão simples e eficazes.
Comecemos pelas vantagens. Uma das mais importantes é que a extração com etanol e solventes é um processo mais rentável do que a extração com CO₂. Este processo implica uma maquinaria menos sofisticada, o que se traduz num custo mais baixo. Além disso, tem um maior rendimento de CBD por quilo de biomassa do que o método de extração com CO₂, o que significa que se obtém mais CBD pela mesma quantidade de matéria-prima.
Falemos agora das desvantagens. Em primeiro lugar, a extração com etanol e solventes é limitada quanto aos produtos que se podem obter. É adequada para o isolado e destilado de CBD de alto rendimento, mas não para o espectro completo, os óleos essenciais e as ceras. Isto deve-se ao facto de danificar os fitoquímicos e os terpenos, componentes importantes da cannabis que têm efeitos benéficos para a saúde.
Em segundo lugar, o método de extração por solvente é mais perigoso do que a extração com CO₂. Os solventes utilizados são altamente inflamáveis, o que significa que existe um maior risco de acidentes. Por isso é importante que este processo seja realizado por especialistas em instalações adequadas.
Extração com azeite de oliva
O azeite de oliva é muito mais do que um ingrediente culinário. A sua capacidade para dissolver compostos lipofílicos como o CBD torna-o num solvente natural eficaz. Além disso, sendo um produto seguro, acessível e rico em antioxidantes, é especialmente útil em contextos onde se procura uma extração simples, como em produções artesanais ou domésticas.
Extração com solventes (etanol, butano, hexano)
Este método utiliza solventes líquidos para separar os canabinoides do material vegetal. O etanol é um dos mais utilizados pela sua eficácia, embora o butano e o hexano também sejam empregues em contextos industriais. A escolha do solvente e o controlo do processo são fundamentais para garantir um produto seguro.
Devido aos riscos que estes solventes implicam, é essencial que a extração seja realizada em instalações adequadas, com pessoal qualificado e sob regulamentação rigorosa. Só assim se garante a segurança do utilizador, de quem os produz e a qualidade do resultado.
Processos posteriores à extração
Descarboxilação
Este passo consiste em aplicar calor ao extrato ou ao cânhamo para converter os canabinoides ácidos, como o CBDA, nas suas formas ativas, como o CBD. É um processo delicado: se for realizado incorretamente, pode afetar negativamente a potência do produto. Uma boa descarboxilação garante que o CBD esteja disponível para interagir com o organismo humano.
Purificação do CBD
Após a extração, o óleo pode conter ceras, gorduras e outras impurezas indesejadas. A purificação permite obter um extrato mais límpido, com melhor textura e maior estabilidade. Este passo é especialmente importante para produtos que se aplicam sobre a pele.
Enriquecimento com terpenos
Alguns terpenos, responsáveis pelo aroma e por parte do efeito terapêutico da cannabis, podem perder-se durante a extração. Para recuperar a sua presença, podem ser reintroduzidos através de técnicas como a destilação por vapor. Isto enriquece o perfil do extrato e melhora a sua sinergia com outros compostos.
Comparação final dos métodos de extração
Compreender as diferenças entre os métodos de extração é fundamental para avaliar o tipo de produto que se pretende elaborar ou consumir. Cada técnica tem as suas próprias características, vantagens e limitações, que têm impacto direto na pureza do extrato, no seu rendimento, no perfil de compostos conservados e na viabilidade do processo. A tabela seguinte resume de forma clara e ordenada os principais aspetos a considerar:
| Método de extração | Principais vantagens | Desvantagens ou limitações | Aplicações ideais |
|---|---|---|---|
| CO₂ supercrítico | Alta pureza, sem resíduos químicos. Excelente conservação de canabinoides e terpenos. Sustentável graças à reciclagem do CO₂. | Equipamentos dispendiosos, menor rendimento em comparação com outros métodos. Requer instalações avançadas. | Extratos full spectrum de alta qualidade, óleos premium, cosmética terapêutica. |
| CO₂ subcrítico | Conserva melhor os terpenos delicados e compostos voláteis. Ideal para perfis aromáticos complexos. | Menor eficiência de extração, com menor concentração de canabinoides. | Produtos focados no aroma e perfil sensorial do extrato. |
| Azeite de oliva | Método económico, seguro e sem uso de químicos. Ideal para processos artesanais. Bom veículo gordo para canabinoides. | Menor pureza e concentração. Vida útil limitada. Difícil de escalar para produção comercial. | Produção caseira ou artesanal, óleos suaves com perfil natural. |
| Etanol (e outros solventes) | Alta eficiência, rendimento elevado por quantidade de biomassa. Custo mais baixo do que CO₂. Ideal para isolados. | Risco inflamável. Pode degradar terpenos e fitoquímicos. Não adequado para óleos de espectro completo. Requer conhecimentos técnicos para ser seguro. | Produção industrial de isolados, destilados e extratos padronizados. |
Conclusão
O percurso pelos métodos de extração do CBD revela muito mais do que simples processos técnicos: mostra como cada escolha na cadeia de produção tem um impacto direto na qualidade, segurança e perfil terapêutico do produto final. Desde a precisão limpa do CO₂ supercrítico até à simplicidade acessível do azeite de oliva, passando pela eficiência industrial dos solventes, cada método responde a necessidades distintas, tanto no laboratório como no mercado.
Compreender como se extrai o CBD não é um conhecimento reservado a especialistas. É uma ferramenta útil para quem procura produtos fiáveis, naturais e alinhados com os seus valores. Num setor em constante evolução, onde a transparência e a educação ganham cada vez mais importância, conhecer o que está por trás de um rótulo torna-se mais uma ferramenta para o teu cuidado e bem-estar.
David Vázquez
Head Ecommerce Sector CBD há mais de 10 anos
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